O candidato à Presidência da República confrontou os apresentadores do programa “Dois às 10”, alegando tratamento diferenciado em relação ao adversário António José Seguro.
O clima de tensão marcou a manhã desta quarta-feira nos estúdios da TVI. André Ventura, líder do Chega e candidato presidencial, protagonizou um debate aceso com Cristina Ferreira e Cláudio Ramos, acusando a dupla de apresentadores de conduzir a entrevista de forma parcial e de interromperem sistematicamente o seu raciocínio.
A acusação de “dois pesos e duas medidas”
Durante a emissão, Ventura comparou a sua prestação com a de António José Seguro, também candidato ao Palácio de Belém, que passara pelo mesmo sofá recentemente. O deputado não poupou críticas à condução da conversa, sugerindo que o tratamento dado ao seu opositor foi consideravelmente mais benevolente.
“Vi a entrevista a António José Seguro e não foi nada assim. Deixaram-no falar. Deixem-me falar para ser igual e ter o mesmo tratamento”, atirou André Ventura.
O candidato aproveitou ainda o momento para lançar uma farpa direta ao adversário político, afirmando que a fluidez da entrevista de Seguro se deveu à falta de conteúdo: “O António José Seguro não tem é muito para dizer, isso muda tudo”.
O confronto com Cláudio Ramos
Pela primeira vez, Ventura encontrou-se em estúdio com Cláudio Ramos, apresentador que já manifestou publicamente a sua discordância face às ideias do líder do Chega. A dinâmica entre ambos foi pautada pelo confronto direto, com os apresentadores a insistirem no contraditório sempre que as respostas do candidato se afastavam das questões colocadas.
O momento de maior tensão ocorreu no fecho da entrevista, quando Cláudio Ramos, em resposta às provocações de parcialidade, clarificou a sua posição de forma perentória, revelando que o seu voto no próximo domingo será depositado em António José Seguro.
Domínio mediático
Este episódio reforça a estratégia de André Ventura de manutenção de uma presença constante na esfera mediática. Apesar de ser o político com maior tempo de antena em Portugal, o candidato tem feito da crítica aos profissionais da comunicação social uma bandeira de campanha, alegando frequentemente ser alvo de uma tentativa de prejuízo deliberado por parte dos média tradicionais.